História

A DENPASA – Dendê do Pará S/A é uma das pioneiras no negócio de óleo de palma (ou dendê) no Brasil, com mais de trinta e cinco anos de funcionamento na Cidade de Santa Bárbara do Pará, “Referência Nacional” pelo sucesso da adaptabilidade do dendê às condições edafo-climáticas da Região Norte do país, fomentando o agronegócio e a agroindustrialização do produto, dando confiabilidade para a implantação de novas empresas. Também, promoveu o desenvolvimento sócio-econômico, cultural, científico, tecnológico e ambiental dos municípios localizados principalmente na região metropolitana de Belém.

O plantio do dendezeiro no Pará deve-se à iniciativa da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA), depois Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), que em 1967 por iniciativa da Dra. Clara Pandolfo, superintendente da época, através de convênio firmado com o Institut de Recherches pour les Huiles et Oléagineux (IRHO – França), iniciou um projeto de 1.500 ha no município de Benevides. O projeto contemplava um total de 3.000 ha de plantios sendo os restantes 1.500 ha constituídos por plantações satélites de agricultores locais. Este projeto foi posteriormente privatizado dando origem à empresa pioneira do setor, Dendê do Pará S.A. – DENPASA (Veiga et al. 2001) .

Em 1972 este projeto passou para mão da iniciativa privada numa “Join Venture” entre a SUDAM e HVA (Banco Holandês) e no dia 20 de outubro de 1973 é fundada a empresa Dendê do Pará S.A. – DENPASA, inaugurando em 1975 a construção da primeira Usina para processamento de Óleo de Palma no estado do Pará.

Em 1978, ocorre a nacionalização da DENPASA, o controle acionário que era da HVA – Banco Holandês, passa a ser exercida pela Companhia Cotia Trading (empresa do grupo OMB – Ovídio Miranda Brito). A partir de então a DENPASA expandiu o plantio de Palma para 7.576 ha, operando com 3 (três) unidades extratoras, sendo duas no município de Benevides e uma no município de Acará, tornando-se um dos maiores contribuintes de impostos do estado do Pará na década de 80. A participação da DENPASA na expansão e no desenvolvimento da dendeicultura na Amazônia em decorrência de seu pioneirismo teve uma expressiva contribuição através da transferência de tecnologias adquiridas por experiências próprias e convênios com órgãos Nacionais e Internacionais.

A difusão da tecnologia e o excelente desempenho agroindustrial estimularam o surgimento de plantios ao nível de produtor rural e empresas de grande porte, estimuladas pela política de incentivo fiscal por parte do Governo Federal através da SUDAM, surgindo novos empreendimentos como a DEANAM, REASA, AGROMENDES e CRAI, que posteriormente se fundiram para a formação da AGROPALMA. Outras empresas e cooperativas também surgiram na época, com destaque para CODENPA, DENTAUÁ, MARBORGES e PALMASA.

O dendezeiro é uma das oleaginosas de maior produtividade em todo o mundo, com rendimento de 4 a 6 t/ha de óleo, cujo consumo tem apresentado crescimento de 10% ao ano, sendo o óleo vegetal mais produzido e consumido no mundo. (Fonte: Oil World Annual 2009)

O dendê é uma cultura perene, produz o ano todo facilitando a fixação do homem ao campo. Além de ser a melhor opção ecológica e econômica para a região amazônica, principalmente para a recuperação das áreas desmatadas, a cultura traz grandes benefícios sociais, através da geração de empregos fixos, pois a colheita e o processamento dos cachos ocorrem durante o ano todo. Em média, cada 7,0 ha de dendê gera um emprego direto.

O óleo de palma é uma commodity comercializada em todo o mundo, sendo largamente utilizada na fabricação de margarinas, gorduras, óleo de cozinha e sabões, com grandes perspectivas na indústria química.

O dendezeiro produz o ano todo, por mais de 25 anos, facilitando a fixação do homem ao campo. Tem como característica um fator muito importante na economia moderna, que é o chamado “Zero Waste”, pois tudo é aproveitado no manejo da cultura.

Assim como a cultura da seringueira, a cultura do dendê também é considerada “environmental friendly”, pois contribui para fixação do carbono durante a fase de crescimento das plantas, reduzindo o efeito estufa, além de outras vantagens ambientais.

O dendezeiro, como planta perene de porte arbóreo, apresenta um potencial considerável para imobilizar o carbono atmosférico. Na absorção de CO2, o dendezeiro perde somente para o eucalipto, apresentando melhores números que as florestas temperadas e até mesmo tropicais (Viegas & Muller 2000). Conforme Hartley (1977), a fixação de carbono pelo dendezeiro é de 13,25 toneladas de carbono por hectare/ano.

A expectativa em relação à cultura do dendezeiro advém de sua relevância para o cenário energético e ecológico. Boddey (1993) salientou que se 30% da área desflorestada da Amazônia brasileira fosse utilizada para o plantio dessa palmeira oleaginosa, haveria possibilidade de suprir a demanda diária de 460 mil barris de óleo diesel consumidos no país, com a vantagem de gerar empregos para a população da região, além de que o óleo combustível gerado pelo dendezeiro é renovável e não contribui para o aumento do efeito estufa.